10/11/2020

Esta escola para startups faturou R$ 1 milhão em menos de um ano

Inspirados no Vale do Silício, cursos da 49 Educação ajudam empreendedores a construir negócios do zero até a etapa de buscar investimentos.

As startups brasileiras têm uma taxa de mortalidade elevada. Apenas uma em cada dez empresas desse tipo sobrevivem, segundo dados da consultoria PwC Brasil. Os motivos para o fim são diversos: vão da falta de mercado à falha nas estratégias de marketing. Criada em Florianópolis (SC), a 49 Educação quer ser uma escola para os "startupeiros", ensinando a ir do zero até a abordagem aos investidores. Com cerca de 500 alunos formados, a projeção é fechar o ano com um faturamento de R$ 1,2 milhão.

A escola foi criada por Bibiele Teixeira e Leandro Piazza. Eles se conheceram em 2018, quando Bibiele era presidente da empresa júnior de Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina. Leandro era gestor comercial de outra universidade e a procurou com um desafio: oferecer uma base melhor para estudantes interessados em empreender.

Inicialmente, os dois tiveram a ideia de desenvolver um curso com foco em soft skills. O projeto foi inscrito e aprovado no programa Accelerate your Startup Idea, da Universidade Stanford. Leandro embarcou na viagem em 2019 e participou do processo por oito semanas. Enquanto isso, Bibiele aprendia com ele e preparava o terreno para o projeto no Brasil.

Ao final do programa, os dois decidiram pivotar a ideia. “No Vale do Silício existem alguns modelos que poderiam resolver os gargalos da educação empreendedora brasileira”, conta Bibiele, citando como exemplo a Singularity University, já presente no país. “Fizemos validações com universidades e empreendedores e chegamos ao modelo de Startup University.”

 

O programa é divido em sete módulos. A cada semana, os participantes aprendem sobre uma etapa do processo de criar e escalar uma startup – como a pesquisa de mercado, a operacionalização e a captação de leads. Ao final, também aprendem a montar um pitch. Os cinco melhores projetos de cada turma são apresentados a uma banca de investidores. O time de mentores inclui o próprio Bret Waters, professor do programa de Stanford que inspirou os sócios.

A 49 Educação deu seus primeiros passos em 2019, com palestras e conteúdos sobre empreendedorismo. O programa Startup University teve início em março de 2020, com uma turma presencial de cerca de 60 pessoas. Após três semanas de aulas, veio a quarentena. “Os alunos pagaram de R$ 5 mil a R$ 7 mil pelas aulas presenciais, com direito a coworking e outros benefícios”, diz Bibiele. “Tivemos que renegociar com os mentores e focar em estratégias para manter os participantes.”

O curso foi reformulado para o formato online, passando a custar cerca de R$ 2,8 mil. A estratégia para captar alunos também se tornou mais digital, com a realização de eventos online com uma versão “pocket” da metodologia do curso. A segunda turma reuniu aproximadamente 100 pessoas – e os sócios não têm planos de retomar a versão anterior. “Conseguimos um modelo com base de custos menor e capaz de atender alunos de qualquer cidade.”

Em outubro, ao final da quinta turma, a 49 Educação já havia batido sua meta para 2020: um faturamento de R$ 1 milhão. Também acompanhou o nascimento de startups criadas pelos alunos, como a Bebell, uma startup de serviços delivery de beleza e estética. Outros negócios, como a foodtech Veggi, aproveitaram o curso para redefinir a rota.

A projeção dos sócios é fechar o ano em R$ 1,2 milhão e atingir R$ 2 milhões em 2021. Daqui para frente, o plano é lançar infoprodutos com tíquete médio menor e investir na aproximação com universidades, oferecendo formações complementares para os estudantes.

Fonte:https://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2020/11/esta-escola-para-startups-faturou-r-1-milhao-em-menos-de-um-ano.html