23/07/2020

Startup que democratiza energia solar recebe R$ 21 milhões

A Solfácil concede financiamentos para quem busca instalar painéis solares. Segundo fundador, retorno sobre investimento chega a 30% ao ano.

Seja por preocupações ambientais ou econômicas, o interesse pela energia solar tem crescido. Algumas startups já perceberam o potencial desse mercado bilionário -- assim como seus investidores.

O caso mais recente é o da Solfácil. A fintech concede financiamentos para quem gostaria de gerar energia solar em casa. A ideia atraiu um novo investimento de R$ 21 milhões, liderado pelo fundo Valor Capital Group.

A Solfácil usará os recursos para melhorar sua tecnologia, criar produtos financeiros e aumentar esforços comerciais. Demanda não falta, especialmente com o início da retomada econômica.

Ideia de negócio: energia solar democrática
A Solfácil foi criada pelo engenheiro Fabio Carrara no começo de 2018. O futuro empreendedor começou sua carreira como consultor no Boston Consulting Group. Um MBA na Universidade de Wharton (Estados Unidos) criou seu interesse pelo empreendedorismo.

Carrara voltou ao país e trabalhou como diretor de investimento em fundo de venture capital em 2012. Foi então que conheceu mais a fundo o mercado de energia solar. "O Brasil é o melhor país do mundo para este ramo. Temos uma matriz energética limpa, muita incidência solar e  mão de obra acessível. Uma proposta de bom retorno com um impacto econômico e sustentável positivo teria bastante aderência."

Os dados acompanham a percepção do fundador. Segundo dados coletados pela Solfácil com a Aneel e players do mercado, o setor de geração distribuída movimentou mais de R$ 6 bilhões em aquisições de sistemas solares em 2019. Seria uma expansão de 236% no número de instalações em comparação com 2018. No primeiro semestre de 2020, marcado pela pandemia causada pelo novo coronavírus, o crescimento teria sido de 90%. Somente 0,3% das unidades consumidoras brasileiras teriam tecnologia de energia solar. Na Austrália, por exemplo, a adoção residencial seria superior a 20%.

A primeira empreitada de Carrara no segmento foi a Solstar, criada em maio de 2015. A empresa instala projetos de geração de energia solar em estabelecimentos comerciais e residenciais. Carrara aprendeu sobre escala, relação de consumo e tecnologia para o setor. Também aprendeu sobre um grande gargalo: a necessidade de financiamento. "Vontade de colocar energia solar não falta no Brasil. Mas ainda se fala que é algo caro. Não concordo, porque tem um retorno de até 30% ao ano sobre o capital investido, mas falta o dinheiro para o brasileiro começar a investir."

A Solfácil surgiu dessa dor. A fintech realiza financiamentos de até 120 meses em um modelo B2B2C. Isso significa que a Solfácil oferece o crédito por meio de parceiros integradores, aqueles que atraem consumidores e instalam projetos solares. É uma relação parecida com a de empresas de crédito e concessionárias de automóveis.

A Solfácil recebeu um investimento anjo de R$ 4 milhões para começar a operar. Os pilotos começaram em 2018, enquanto 2019 foi marcado pela expansão nacional da solução.

A fintech tem 1.000 parceiros integradores e dezenas de milhões de reais em carteira de crédito originada. O tíquete médio por projeto fica entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

Fonte:https://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2020/07/startup-que-democratiza-energia-solar-recebe-r-21-milhoes.html