Com mil metros quadrados, galpão Indie Warehouse, em Brasília, é liderado pela Behold. A partir desse sábado, 25, um galpão de mil metros quadrados no Lago Norte, em Brasília, vai ganhar moradores especiais como robôs japoneses, naves espaciais e...
Com mil metros quadrados, galpão Indie Warehouse, em Brasília, é liderado pela Behold.
A partir desse sábado, 25, um galpão de mil metros quadrados no Lago Norte, em Brasília, vai ganhar moradores especiais como robôs japoneses, naves espaciais e heróis mitológicos. Calma, não é uma invasão à capital federal: é a data marcada para a inauguração da Indie Warehouse, primeiro espaço de trabalho compartilhado (coworking) no Brasil totalmente dedicado a produtores e desenvolvedores de games. Com capacidade para receber até 100 pessoas, trabalhando todos os dias, o local quer transformar Brasília em um pólo nacional de produção de games.
À frente da iniciativa, está a Behold, um dos principais estúdios do País. Fundada em 2009, a empresa já fez jogos como Knights of Pen and Paper, que já vendeu mais de 1 milhão de unidades, e Chroma Squad, lançado recentemente para PlayStation 4 e Xbox One por uma parceria com a tradicional empresa japonesa Bandai Namco, dona de marcas como Pac-Man e Dark Souls.
“Dividir espaços com outros produtores de games sempre foi algo muito importante para a gente”, diz Saulo Camarotti, fundador da Behold. E foi mesmo: entre 2015 e o início deste mês, a empresa tinha como sede uma casa no mesmo Lago Norte.
Com direito a piscina e churrasqueira, o local era compartilhado com outros dois estúdios – a Bad Minions, de Brasília, e a Ôtus, de Novo Hamburgo (RS). “Agora, podemos ter até 15 empresas ao nosso lado”, explica Camarotti. Junto à Behold, três investidores-anjo participam da criação do espaço, que começa suas atividades com 30% da capacidade ocupada e 10 estúdios diferentes a seu lado.
Vida única. Para Camarotti, o principal motivo para criar um coworking dedicado aos games é a diferença dos negócios da área e de outras startups. “Investir num jogo tem um elemento de risco que não faz sentido para quem conhece o cotidiano das startups”, diz o desenvolvedor. “Um investidor de games não vai querer visitar um coworking que tem um estúdio, um advogado e uma professora de inglês, mas vai topar conhecer 10 estúdios diferentes.”
Outra vantagem para os estúdios presentes é compartilhar conhecimento e contatos. “Uma empresa que tem contato com parceiros como Sony, Microsoft, Google e Apple pode abrir as portas para as outras”, avalia Fernando Chamis, presidente da Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames).
Segundo Chamis, a união pode também ajudar as produtoras a financiar equipamentos avançados, como ferramentas de capturas de gestos, inviáveis hoje para a realidade do mercado brasileiro. “Para quem está sozinho, é uma grana absurda, mas que pode se tornar viável em conjunto.”
Design de fases. Ao todo, a Indie Warehouse tem recepção, quatro salas de reunião e um espaço multiuso, que pode receber cursos para até 25 pessoas – uma das metas da Behold é ajudar estudantes que querem fazer seus primeiros jogos a terem um espaço. Além disso, há um lounge, uma área externa com estacionamento para food trucks (“útil para eventos de maratonas de criação de jogos”) e um auditório para 50 pessoas, com projetor equipado.
Outro destaque da infraestrutura está nos banheiros, com chuveiros e vestiários. “É bom para quando a gente precisa virar a madrugada acabando de criar um jogo”, exclama Camarotti. O investimento não é à toa: a ideia da Behold é que o espaço esteja sempre aberto, de domingo a domingo, 24 horas por dia, se adaptando à rotina de horários típica de desenvolvedores de jogos.
Além disso, a ideia do espaço é receber eventos para discutir o desenvolvimento de games – neste sábado, há uma série de palestras dedicadas ao mercado brasileiro de games, abordando temas como imprensa, game design, parcerias com publishers e até mesmo trilhas sonoras.
Moedinhas. Quem quiser estar na Indie Warehouse tem três possibilidades. Frequentar o local é de graça; já quem quiser ter sua empresa permanentemente no local, “com direito a deixar todas as tranqueiras aqui”, como diz Camarotti, paga R$ 600 por mês para cada funcionário. A terceira forma é o que a Indie Warehouse chama de “plano rotativo”: por R$ 300 por pessoa, é possível ter acesso ao local e à infraestrutura, mas sem um espaço dedicado. “É para chegar e abrir o laptop onde der”, diz o desenvolvedor da Behold.
Para Pedro Machado, fundador do estúdio local Glitch Factory, o custo compensa – com oito funcionários, a empresa se mudou para a Indie Warehouse no começo dessa semana. “Passar o dia a dia só falando de games com outros desenvolvedores vai nos ajudar muito”, diz Machado, cujo time atualmente trabalha no game No Place For Bravery, previsto para 2018.
O preço, porém, foi um empecilho para a Bad Minions, que dividia cozinha, piscina e churrasqueira com a Behold até o mês passado. Segundo o game designer Leonardo Batelli, compensa mais alugar uma sala para a equipe de seis pessoas da empresa, que se prepara para lançar o jogo Alkymia. “O que pega para nós é o preço”, explica Batelli.
Para Fernando Chamis, da Abragames, o espaço tem potencial para se tornar uma referência no cenário nacional. “Brasília já é um espaço bacana de jogos, e concentrar empresas pode ser bom para atrair investidores”, diz. Segundo ele, a ideia pode ser replicada em outros Estados com bom cenário de desenvolvimento de games, como São Paulo e Rio Grande do Sul.
Serviço
Indie Warehouse
Endereço: SHIN CA 07, Lote 14, Lago Norte, Brasília
Site: indiewarehouse.com.br/
Fonte:http://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2017/08/pais-ganha-primeiro-coworking-dedicado-games.html
